"(...) Um dia, quando a minha memória de homem fugitivo
alcançar a idade de um deserto, debruçar-me-ei num poço e
tentarei beber o tempo esquecido do teu rosto. Estarei lucidamente
morto, eu sei, e os meus olhos já não prenderão a adolescência,
nem as imagens que dela se soltaram. E a minha cegueira surgirá
cercada por frondosas árvores e pássaros, mas não os verei mais.
O rosto, o teu rosto, já não conseguirá atrair-me para o fundo
circular do poço. (...)"
alcançar a idade de um deserto, debruçar-me-ei num poço e
tentarei beber o tempo esquecido do teu rosto. Estarei lucidamente
morto, eu sei, e os meus olhos já não prenderão a adolescência,
nem as imagens que dela se soltaram. E a minha cegueira surgirá
cercada por frondosas árvores e pássaros, mas não os verei mais.
O rosto, o teu rosto, já não conseguirá atrair-me para o fundo
circular do poço. (...)"
Al Berto in Lunário

Este excerto da obra de Al Berto “Lunário” está admirável … transmite-nos toda a inquietação e desassossego do autor que, ao utilizar estas figuras de linguagem, nos deixa absolutamente emocionados.
ResponderEliminarGosto!! Está espectacular...
obrigada
ResponderEliminarRealmente todas as obras do autor refletem exatamente isso... a linguagem que usa é simplesmente espantosa, muitas vezes chega a ser chocante e até mesmo violenta... mas por isso mesmo tão reais!